Clique aqui para navergar no Website
 
     
Animal Manager - O site de tecnologia animal - Cães, Gatos, Aves, Peixes, Cavalos, Roedores e muito mais...
INFORMAÇÃO CRIADOR ON-LINE
ENTREVISTAS
  Painel de Controle Cadastre-se Índice Atualizar Voltar  

São Paulo , 12 de Julho de 2005 - Entrevistado:José Daniel de Souza Tambelini

SOBRE O CRIADOR

Criador On-line: A quanto tempo você cria a raça Dogue Brasileiro?
Daniel Tambelini: Adquiri o primeiro exemplar em 2002. No final de 2004 homologamos o canil Yacarepaua e tivemos a primeira ninhada em janeiro de 2005.

Criador On-line: O que o influenciou na escolha desta raça?
Daniel Tambelini: Ao mudar para uma nova casa, procurei por uma raça boa para guarda. Após muitas pesquisas na internet e conversa com criadores, optei pelo Dogue Brasileiro. Primeiro porque é a única raça que é obrigatório a avaliação de temperamento para homologar títulos de campeão, o que garante sua índole para a guarda. Segundo porque é uma raça brasileira e, de alguma forma, estaríamos contribuindo com a cinofilia nacional. Depois de notar sua beleza e capacidade de trabalho, me empolguei em iniciar a criação.

Criador On-line: Você mantém a criação como atividade principal, secundário ou hobby?
Daniel Tambelini: Mantenho a criação como um hobby mas com seriedade.

Criador On-line: Você exporta ou importa cães?
Daniel Tambelini: Não exportamos, ainda, e propositadamente não temos pressa nisso. A raça ainda não é reconhecida pela FCI e o nosso desejo não é apenas exportar cães, mas também a filosofia por trás da raça. Não há criação desta raça fora do Brasil.

Criador On-line: Você participa ou já participou de exposições cinófilas? (Se deixou de participar informe os motivos)
Daniel Tambelini: Nossa primeira participação começou meio que por acaso em 2004, motivado por uma amiga. Desde então, já participamos de diversas exposições, inclusive fora do Rio de Janeiro. Inicialmente, para divulgação da raça e conforme nossos cães começavam a obter certificados, fomos adiante.

Criador On-line: Você tem cães premiados? Se sim, cite alguns títulos obtidos?
Daniel Tambelini: Temos um macho Campeão e Campeão Pan-americano. E mais um macho e uma fêmea Jovens Campeões. O Squach foi o melhor macho e ficou em segundo lugar da raça em 2004 no ranking da CBKC. Com ele, já obtivemos a pontuação para Grande Campeonato, porém ainda não fizemos a avaliação de temperamento para Grande Campeão, que é obrigatória para homologação deste título. Conseguimos vários títulos de melhor da raça, ótimas colocações no grupo 11 e um quarto lugar no Best in show, porém damos mais importância ao título de apreciação de caráter do que o de beleza na avaliação do pedigree.

Criador On-line: Você acha que o árbitro cinófilo brasileiro tem qualificação suficiente para julgar os cães?
Daniel Tambelini: No geral sim, porém poucos conhecem o padrão do Dogue Brasileiro, o que nos prejudica nas disputas de grupo.

Criador On-line: Como é seu relacionamento com outros criadores? Há troca de informações?
Daniel Tambelini: Nosso relacionamento com outros criadores é excelente. A troca de informação é freqüente e procuramos difundir qualquer notícia sobre a raça através de correio eletrônico e encontros. Conhecemos praticamente todos os proprietários do Rio de Janeiro, por exemplo. Em abril de 2005, estivemos, eu e meu sócio, em Caxias do Sul, berço do Dogue Brasileiro, num simpósio sobre a raça realizado pelo árbitro e cinófilo Pedro Ribeiro Dantas, primeiro criador da raça. Tivemos a oportunidade de conviver com diversos exemplares e com outros criadores do sul do Brasil. Documentamos tudo para passar para os criadores aqui do Rio de Janeiro. Já está previsto outro simpósio para 2006.

Criador On-line: Quais as maiores dificuldades que você tem encontrado durante todo o período que cria?
Daniel Tambelini: A maior dificuldade que encontramos é a falta de conhecimento da raça e a confusão que fazem entre o Dogue Brasileiro e outras raças, classificadas, injustamente, como perigosas. Porém, todos os proprietários estão super felizes com seus cães e não tivemos nenhum caso de acidente grave causado por algum exemplar.

Criador On-line: Você cria outras raças além do Dogue Brasileiro?
Daniel Tambelini: Criamos, exclusivamente, Dogue Brasileiro.


SOBRE A RAÇA

Criador On-line: Quando teve início a criação desta raça no Brasil?
Daniel Tambelini: Os primeiros exemplares surgiram em 1978 através do cruzamento de uma fêmea de boxer com um bull terrier. Através da observação e da seleção, considerando-se morfologia e temperamento, foi-se formando a raça. Houve inserção de american staffordshire terrier, o que gerou maior variabilidade genética. No início da década de 80, a raça foi reconhecida pelo CBKC.

Criador On-line: Cite de forma resumida o padrão oficial da raça.
Daniel Tambelini:
• ASPECTO GERAL: Cão de aspecto sólido maciço e não esgalgado, sem parecer, no entanto, atarracado ou desproporcionalmente pesado. Ágil e forte, com músculos muito fortes longos e marcados, dando a impressão de grande potência e impulsão. Ossos fortes.
• REGIÃO CRANIANA: Crânio: crânio relativamente largo; Stop: leve, visto de perfil ou de frente.
• MOVIMENTAÇÃO: deve ser fluente, com força e agilidade. As patas devem se mover paralelamente com boa flexão nas patas e joelhos.
• PELAGEM: curta, densa, luzidia e áspera.
COR: Qualquer cor, variação ou combinação de cores são aceitas sem qualquer restrição.
• TALHE: Altura: machos, de 54 a 59 cm (preferencialmente, 57 cm); fêmeas: de 50 a 57 cm (preferencialmente, 55 cm).
• PESO: machos, de 29 a 42 kg (preferencialmente, 38 kg); fêmeas: de 23 a 37 kg
(preferencialmente, 31 kg).
• TÍTULO DE CAMPEÃO: Somente poderá obter o título de campeão, os machos e fêmeas aprovados na apreciação do caráter, onde deverão obrigatoriamente demonstrar coragem e, principalmente, controle. Os cães considerados atípicos, por falta de iniciativa ou considerados perigosos não poderão obter tal distinção.

Criador On-line: Cite alguns pontos positivos e negativos desta raça.

Daniel Tambelini:
• POSITIVOS – docilidade e companheirismo com os membros da família, fácil adestramento, resistência à doenças e excelente trabalho de guarda.
• NEGATIVOS – propensão, controlada, à baixa tolerância com outros cães do mesmo sexo e porte e semelhança com algumas raças classificadas, repito, injustamente, como perigosas.


TEMPERAMENTO DA RAÇA

Criador On-line: Qual é temperamento e o nível de atividade do Dogue Brasileiro?
Daniel Tambelini: Cão de atividade média, atento e observador, de expressão séria para estranhos e meiga para com o dono. Equilibrado, apto à disciplina, porém destemido quando provocado ou sob comando.

Criador On-line: Como se comporta o cão macho e fêmea em relação aos seus filhotes?
Daniel Tambelini: As fêmeas costumam ser excelentes mães e os machos toleram bem a ninhada.

Criador On-line: Como se comporta o cão em relação a crianças e pessoas que não são da família?
Daniel Tambelini: Com meus três filhos a convivência é muito boa, embora sejam cães muito fortes, sabem controlar sua força durante as brincadeiras. É claro que com pessoas estranhas, vai depender de um bom e recomendado trabalho de socialização, o que deve ser feito com qualquer raça. No geral, suportam bem a presença de pessoas que não são da família quando na companhia dos donos. Na minha casa, amigos, familiares, minha empregada e faxineira circulam tranqüilamente pelo quintal.

Criador On-line: Como é a convivência do Dogue Brasileiro com outros animais?
Daniel Tambelini: Agem como outros cães. Se socializados desde filhotes, não há problema.


SAÚDE

Criador On-line: Quais são as principais doenças do Dogue Brasileiro, especificamente?
Daniel Tambelini: São cães bem rústicos. Não adoecem com facilidade, independente das condições em que vivem. Vale ressaltar que ainda não houve nenhum caso de displasia entre as centenas de exemplares.

Criador On-line: Quais são os cuidados básicos que os proprietários de cães desta raça devem ter com eles animais?
Daniel Tambelini: Boa alimentação, vacinação em dia e muito carinho. Adestramento básico é recomendável.

Criador On-line: Em termos de alimentação, o que é melhor ser oferecido ao animal?
Daniel Tambelini: Basicamente, ração de boa qualidade e na quantidade certa. Frutas não-cítricas, legumes e ossos também fazem bem.

Criador On-line: Esta raça deve fazer atividades físicas com freqüência ou não e necessário?
Daniel Tambelini: Para quem mora em casa com um quintal médio, não há necessidade de exercitar o animal. Pelo seu porte físico e capacidade atlética, é uma ótima raça para esportistas. Para os que vivem em pequenos espaços, é importante caminhada diária. Apesar de que sou contra cães de grande porte em apartamentos, por exemplo.


SOBRE A CINOFILIA

Criador On-line: Como é a criação do Dogue Brasileiro no Brasil?
Daniel Tambelini: Ainda é muito restrita. Os maiores criadores encontram-se em Caxias do Sul e em Mato Grosso do Sul, nesta ordem. No estado do Rio de Janeiro há três criadores e alguns proprietários. Também há criadores na Bahia, Fortaleza e algumas pequenas cidades. Podemos considerar o Dogue Brasileiro como uma raça rara no Brasil.

Criador On-line: Na sua opinião as exposições de cães contribuem de fato para o aprimoramento das raças?
Daniel Tambelini: Talvez, contribua mais para as raças exclusivamente de companhia ou para aquelas nas quais a beleza é fundamental. A falta das provas de temperamento ajudou na deterioração da índole de algumas raças, sejam elas para guarda, caça ou pastoreio. Algumas raças também sofreram alterações sofríveis na sua morfologia.

Criador On-line: Geralmente o cão mais premiado é o que acaba reproduzindo mais. Na sua opinião os árbitros de exposições têm condições de avaliar o melhor cão de cada raça para que a seleção genética possa ocorrer?
Daniel Tambelini: Provavelmente, apenas no aspecto morfológico.

Criador On-line: O que você acha do uso de aparelhos ortodônticos para corrigir os problemas de mordedura em cães que participam de exposições e que são usados na reprodução?
Daniel Tambelini: Não aprovo artifícios com esse propósito. Acho que isso só traz malefício para o plantel, para seus descendentes e para os futuros interessados em iniciar uma criação de boa qualidade.

Criador On-line: Você acha que o criador brasileiro possui conhecimento suficiente a respeito dos cães de raça e do Dogue Brasileiro especificamente?
Daniel Tambelini: Conforme já citamos, a união dos criadores do Dogue Brasileiro, a troca de informações freqüentes com os criadores mais experientes e o nosso empenho na manutenção da qualidade da raça, têm contribuído muito com o conhecimento a respeito da raça. Acho que o mesmo deve ocorrer entre os criadores sérios de outras raças.

Criador On-line: O consumidor brasileiro sabe reconhecer as qualidades e defeitos na criação de cães identificando o bom e o mau criador?
Daniel Tambelini: Não. E as entidades competentes também não ajudam em nada. O consumidor brasileiro é freqüentemente enganado e muito mal informado. Não há mais fiscalização de ninhadas e apenas pequenos grupos ainda se preocupam com a manutenção das características psicológicas das raças que criam.

Criador On-line: O que você acha que deveria ser feito para conscientizar os criadores de que a qualidade é fundamental para o sucesso da criação de cães de raça no Brasil?
Daniel Tambelini: Muito trabalho das entidades competentes. Mais palestras e simpósios com a participação de associação de criadores, adestradores sérios e médicos veterinários.

Criador On-line: Como funciona o adestramento do Dogue Brasileiro? Você mesmo adestra seus Cães?
Daniel Tambelini: O adestramento básico é o mesmo feito com outras raças. O adestramento para a guarda tem um conceito bem formatado e caracterizado para a raça, onde o cão é bastante exigido onde deve-se ter o cuidado em não viciar o cão em manga, mas sim focá-lo em quem ameaça seu dono, seu lar ou a ele mesmo. De preferência este treinamento deve ser iniciado desde cedo, respeitando-se, é claro, a maturidade do cão. Eu sempre participo do adestramento de meus cães.

Criador On-line: O que você acha do modismo na cinofilia (criadores que criam determinadas raças enquanto elas são populares e depois as substituem por outra)?
Daniel Tambelini: Isso é abominável. Tira todo o sentido da criação séria, apenas um lucro passageiro. Além do mais, isso contribui com o aumento de cães rejeitados e abandonados em instituições que estão cada vez mais abarrotadas de cães infelizes.

Criador On-line: Você acha que a CBKC e CLUBES dão aos criadores informações e auxílio necessário para que haja de fato o aprimoramento das raças?
Daniel Tambelini: Apenas alguns clubes, sim. O Bull Boxer Clube – Clube do Dogue Brasileiro – está de portas abertas para os interessados.

Criador On-line: Os criadores de Dogue Brasileiro no Brasil, de um modo geral, visam o aprimoramento da raça ou simplesmente "fabricam" filhotes tendo em vista somente o lucro? O que pensa a esse respeito?
Daniel Tambelini: Certamente o aprimoramento da raça. Principalmente porque nós criamos Dogue Brasileiro por um ideal. Não há como ser diferente, até porque não há mercado para fabricação de dogues brasileiros. Não temos lucro, mas muito prazer.

Criador On-line: Você acha que a criação nacional do Dogue Brasileiro, como um todo, é boa? A importação de novos exemplares ainda se faz necessária?
Daniel Tambelini: A criação ainda é pequena em termos de crescimento e número de criadores. Para aumentarmos a variabilidade, procuramos “importar” bons exemplares de outros Estados do Brasil. A relação de amizade, camaradagem e contribuição para a qualidade da raça são muito prazerosas.

Criador On-line: O que acha da reprodução indiscriminada, sem critérios, feita por criadores ou proprietários que desconsideram o padrão da raça?
Daniel Tambelini: Sou terminantemente contra. A quantidade de cães descaracterizados à venda por criadores de fundo de quintal, petshops e feiras de filhotes é extrema. Sofrem os consumidores e os próprios animais que acabam rejeitados, desrespeitados.

Criador On-line: O que você pensa dos fabricantes de rações para cães no Brasil?
Daniel Tambelini: Acho que a qualidade tem melhorado. Inclusive, já há rações específicas para algumas raças, o que sugere um bom trabalho de pesquisa. Já podemos perceber a preocupação de alguns fabricantes em utilizar boa matéria-prima e estabilizar a formulação. Só falta o governo diminuir os impostos possibilitando mais fôlegos aos fabricantes e garantindo que mais de cães se alimentem de forma balanceada, garantindo uma boa saúde.

Criador On-line: Você acha que os criadores brasileiros deveriam contribuir para entidades que abrigam cães de rua, evitando-se assim que os animais sofressem abandonados pelas ruas?
Daniel Tambelini: Acho que os criadores brasileiros deveriam programar as coberturas de acordo com a demanda, mas primando pela qualidade. Acho que deveria haver um trabalho de conscientização da população em relação a castração de seus cães de companhia ou portadores de doenças transmitidas geneticamente. Pagamos para os Kenneis Clubes taxas para registrar títulos e canis, obtenção de pedigree, transferência de propriedade, homologação de títulos, participação em exposições etc. Porque não destinar parte desta verba para as entidades cinolófilas?


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Criador On-line: O que você recomendaria para quem está iniciando na criação do Dogue Brasileiro?
Daniel Tambelini: Em primeiro lugar, pensar muito sobre o assunto, isso para qualquer raça. Depois, re-pensar. Em seguida, procurar obter o máximo de informação através de pesquisa e troca de informação com outros criadores – isso será fácil. Finalmente, estar ciente da filosofia que está por trás do Dogue Brasileiro: cão de guarda efetivo, equilibrado e amigo da família.

Criador On-line: Faça suas considerações finais sobre a cinofilia no Brasil.
Daniel Tambelini: A cinofilia brasileira, em certos aspectos, vem alcançando um bom padrão, inclusive com reconhecimento internacional, porém, ainda há muito o que melhorar. Principalmente, ela deveria tentar resgatar o propósito para o qual as raças foram desenvolvidas. Penso que este é o caminho que o Brasil poderia indicar para o mundo.

Criador On-line: Gostaria de acrescentar mais alguma informação?
Eu gostaria de aproveitar para acrescentar que o Dogue Brasileiro possui um clube chamado Bull Boxer Clube, responsável pelo registro de todos os exemplares nascidos e pelo julgamento do temperamento dos cães. Esse clube já possui um núcleo em Mato Grosso do Sul e um outro em formação no Rio de Janeiro. Esses núcleos são responsáveis pelo mapeamento das ninhadas e seus respectivos registros e, futuramente, pela avaliação do temperamento, também. Sem o aval deste clube, não é possível a homologação de títulos para os exemplares que freqüentam exposições. Isso garante a qualidade da raça e a manutenção de um trabalho sério e homogêneo por parte dos criadores e serve como fonte de informação para os futuros criadores e/ou proprietários.

Perfil do Entrevistado


José Daniel de Souza Tambelini formado em Tecnologia em Processamento de Dados e criador de cães da raça Dogue Brasileiro. Reside e tem seu canil no Rio de janeiro / RJ.

 


 

E-mail
canilyacarepaua@hotmail.com
tamba@tamba.com.br

Telefone: (21) 9263-1009

 

Foto cedida pelo Entrevistado

 

 

PW89-9709