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Rui Camargo Junior, criador e proprietário do canil Laurentyus Kennel, especializado na raça American Pit Bull Terrier, fala sobre seus cães, exposições cinófilas, padrão da raça e conta tudo o que sabe e viu sobre as detestáveis rinhas de cães.



Leia toda a matéria da entrevista abaixo.


Campinas, novembro de 2003 - Entrevistado: Rui Camargo Junior – Laurentyus Kennel

Visitamos o Canil Laurentyus Kennel, especializado na raça American Pit Bull Terrier, fundado em 1995 e sediado em Campinas, SP, há 100 km da capital paulista, tendo sido recebido pelo Sr. Rui Camargo Junior, proprietário, que teceu comentários sobre a sua criação, exposições cinófilas, padrão da raça, juízes, handlers e rinhas de cães.


SEUS CÃES E SEU CANIL

O Canil Laurentyus Kennel possui instalações adequadas, com baias bem dimensionadas, higiene impecável e uma esteira elétrica para exercitar os cães. Conta também com a assistência de um médico veterinário que é também juiz cinófilo.

Camargo relata que sua criação tem como principais características baixa estatura e estrutura compacta, se utilizando a técnica do * Inbreeding para acasalamentos, que consiste no cruzamento consangüíneo de parentesco próximo, porém sem acasalar irmãos.

* O Inbreeding aumenta a probabilidade do criador fixar um tipo - conjunto de características - em curto espaço de tempo, selecionando-se os exemplares macho e fêmea conforme as características desejáveis para o acasalamento. Por exemplo, se o macho Alfa possui um conjunto de características desejáveis ao cruzar com a fêmea Beta, irá gerar um filhote Gama. Cruzando esse filhote com o próprio pai, mãe ou avós, a tendência é a fixação das características desejáveis fixando assim um tipo. O filhote Omega, resultado deste acasalamento, terá maior probabilidade de transmitir aquelas características para seus descendentes.

O inconveniente dessa técnica consiste na fixação e transmissão tanto das características desejáveis quanto das indesejáveis, que podem resultar em faltas na aparência e doenças genéticas. Por essa razão o Inbreeding só é recomendado a criadores com muita experiência que conheçam profundamente a linha de sangue dos exemplares utilizados no acasalamento.

O Canil Laurentyus Kennel possui machos e fêmeas, descendentes do macho Luthor, que, segundo Camargo, apresenta características espetaculares para a raça, razão pela qual está adquirindo Luthor para reforçar o plantel. Camargo preferiu não falar sobre as cifras da negociação.

Anualmente Camargo faz o controle da Displasia coxo-femoral em sua criação, até os três anos de idade, sendo seu plantel isento desse mal.  Segundo Camargo, que mantém arquivo de todas as radiografias, esse tipo de exame no Pit Bull não necessita ser realizado pelo CBRV – Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária.

Camargo possui também uma fêmea de Staffordshire Bull Terrier, chamada Hanne, raça esta desenvolvida para companhia e guarda pessoal, apresentando como principais características tamanho reduzido, forte apego e instinto de proteção, sendo um cão confiável e simpático com estranhos, sem falar na grande agilidade da raça. Camargo afirma que o valor de um filhote está estimado em R$ 5.000,00 e são poucos os criadores desta raça no Brasil.

Nossa equipe foi muito bem recebida também por todos os cães, que se mantiveram tranqüilos, sendo que a cadela Hanne parecia gostar de ser fotografada, pois não saia da frente da objetiva da fotógrafa quando esta tentava focar outro cão.

O American Pit Bull Terrier é uma raça extremamente sociável, não merecendo a alcunha de “cão assassino” dada pela imprensa sensacionalista. Camargo comenta que essa pecha negativa sobre a raça permanecerá durante muitos anos no imaginário popular. O que é uma infelicidade. Qualquer pessoa que entenda minimamente de cinofilia, gostando ou não de Pit Bull, reconhece que a raça tem o temperamento muito bom e é perfeitamente confiável. Os casos de ataques indevidos se devem sim ao proprietário pouco informado ou àqueles com pouca paz de espírito que transferem sua raiva e frustração ao cão através de treinamentos mal feitos, espancamentos, treinamentos para rinha e outros absurdos, seja o cão da raça Pit Bull ou de qualquer outra raça.


AS EXPOSIÇÕES CINÓFILAS

Camargo participa com freqüência de exposições caninas, possuindo em seu plantel cães premiados com o título de Campão, Grande Campeão e Campeão Pan-americano. Camargo destaca a capacidade de alguns juízes em avaliar os cães. Na sua opinião o handler é responsável por 80% da premiação, tendo influência significativa na avaliação do animal.

Salientamos que durante a exposição o handler tem por função a condução do animal. Dessa maneira o cão premiado deve ser, em tese, aquele que apresenta as melhores características da raça. Qualquer influência possível do handler na avaliação do juiz tornaria imparcial a premiação de cães no Brasil, colocando em risco a seriedade das exposições, servindo apenas para a manutenção da vaidade de organizadores e proprietários.

O REGISTRO DE UM PIT BULL

Camargo informou que o registro (pedigree) do Pit Bull, até recentemente não era emitido no Brasil, pois a FCI - Federation Cynologique Internationale, órgão máximo da cinofilia mundial sediada na Bélgica, não reconhece a raça. No entanto a CBKC – Confederação Brasileira de Cinofilia passou a registrar os Pit Bulls brasileiros, devendo o proprietário apresentar o cão para ser avaliado. Se constatadas as características da raça, baseadas no padrão da CBKC, é possível obter o R.I., Registro Inicial, pois não havendo ancestral registrado, não existe a árvore genealógica, sendo o pedigree de zero grau. Ao gerar descendentes, estes passam a ter o nome de seus pais e avós registrados, até o 3o grau, ou seja, até os bisavós.


O PADRÃO DA RAÇA PIT BULL

Segundo Camargo, os julgamentos de Pit Bull por juízes cinófilos pertencentes ao quadro da CBKC são baseados no padrão escrito por essa entidade para uso somente no Brasil. Explica, também, que esse padrão não apresenta, por exemplo, altura e comprimento definidos. Apresenta apenas generalidades da raça. É praxe mundial que o clube do país de origem da raça escreva o padrão e o encaminhe a FCI, que irá distribui-lo a todos os países que possuam clubes afiliados.

Sendo o Pit Bull um cão de origem norte-americana, caberia, em tese, ao Clube Americano escrever o padrão da raça visando sua homogeneização e reconhecimento como raça oficial pela FCI.


O ABSURDO DAS RINHAS DE CÃES

Camargo declarou que jamais colocou seus cães para participarem de rinhas, apesar de já ter assistido e ficando horrorizado. Segundo Camargo, “... O dia que eu vi a primeira rinha eu fiquei impressionado com o grito dos cachorros e com todo mundo (os participantes) gostando, batendo palmas e apostando dinheiro... São impressionantes os cortes e buracos que um cão faz no outro... é horrível... é horrível... O barulho que os cachorros fazem ficou na minha cabeça por mais de um mês... os cachorros gritam, choram, mas não param, um morde o outro o tempo todo... Quando se conversa com pessoas que participam de rinhas e toca-se no assunto eles simplesmente ficam loucos... eles adoram o que eles fazem! Eles adoram colocar cachorro para brigar...”.

Camargo relata que a rinha consiste em "colocar dois cães em um fosso que parece uma pequena piscina seca de onde os cães não têm como sair...  ou o cão briga ou ele briga",  afirma. "Somente os respectivos proprietários dos cães podem entrar nesse tanque. O combate começa e só é interrompido caso um cão morda os olhos do outro ou as suas patas. Vi um cachorro pegando a pata do outro e este acabou por ser sacrificado no mesmo dia...", não se sabe como foi feita a eutanásia. "A interrupção da rinha é feita pelo dono do cão que se utiliza uma alavanca de madeira para forçar a abertura da boca do animal".

Conforme Camargo, as apostas são altas, girando em torno de cinco a dez mil reais. O preparo do cão para rinhas começa desde filhote, quando lhe servem pequenos animais vivos, como ratos ou coelhos, para que os persiga e mate, desenvolvendo o instinto de caça e gosto pelo sangue e abate de animais.

Outra técnica, segundo Camargo, consiste em prender o cão durante uma semana antes da rinha em um ambiente minúsculo e escuro, sem água ou comida e, após algum tempo, lhe é oferecido somente sangue de galinha. Isso faz com que o cão fique ansioso e faminto. Ao entrar na rinha o cão ao morder o outro sente o gosto de sangue o ataca loucamente, explica Camargo.

Para Camargo, o Pit Bull de rinha é totalmente diferente do Pit Bull de pista. O de rinha desde filhote é incentivado à agressividade, ao contrário do Pit Bull de pista que é educado para ser um cão tranqüilo e sociável.

Camargo declara ser contra a realização de rinhas e treinamentos relacionados, não vendendo filhotes para esse fim.

O Criador On-line parabeniza Camargo pela sua postura.

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Jornalista Responsável
Anita dos Santos Gambardella
RP 16.654/SP

Fotos: Leiliane Winter


FOTOS



Rui Camargo Junior e Ira



Hanne



Ira



Hanne



Akira



Hanne



Yanka e seus dez filhotinhos



E-mail para contatos:
contato@laurentyuskennel.com.br

Website
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