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José Roberto de Araújo, adestrador e comportamentalista canino, notório criador de cães da raça Beagle em Guarapari no estado do Espírito Santo, concede entrevista ao Criador On-line e fala sobre a psicologia comportamental canina e faz seus comentários em relação ao que pensa dos veterinários, criadores e da CBKC.




Leia toda a matéria da entrevista abaixo.


Guarapai/ES, 10 de outubro de 2003 - Entrevistado: José Roberto de Araújo

José Roberto explica que a psicologia comportamental canina funciona em “trabalhar o cão de dentro para fora” durante seu adestramento. “Reestruturar” o que ele chama de “canilidade” sem deixar de lado o que tem sido uma tendência no adestramento moderno dos últimos anos que é o uso do “carinho” como uma ferramenta no adestramento.

Felizmente os adestradores mais atualizados, incluindo o José Roberto, não utilizam os arcaicos métodos de adestramento à base espancamentos e maus tratos ao cão, porém alguns adestradores e proprietários ainda insistem em utilizar este método.

O convívio com o cão deve ser sempre amistoso e com muita amizade, seja durante seu treinamento ou durante toda a sua vida e nunca utilizando o medo como forma de condicionamento.

Questionamos José Roberto como é ser Comportamentalista Canino no Brasil, uma vez que as pessoas em geral não dão muita importância ao adestramento e muitas vezes confundindo-o com uma simples atividade circense e não como método de aprimoramento da relação e do convívio entre o homem e o cão. Ele nos respondeu economicamente dizendo que “a cinofilia em geral ainda está engatinhando no Brasil”, o que não deixa de ser uma verdade, pois há no Brasil pouco conhecimento das técnicas de reprodução baseadas na seleção genética eficiente, pouco reconhecimento das qualidades e defeitos de cada raça, quem dirá quando se fala em comportamento canino.

O que José Roberto mais gosta no Beagle é a “demonstração de amor” da raça e que o ponto forte e a “docilidade, resistência e independência”. Diz ainda que a criação de Beagle no Brasil está em “ascendência” e que “no adestramento é uma raça que dá bons resultados”. Agora se você esta pensando em ter um Beagle em espaços exíguos, seja em casas ou apartamentos, ele diz “não aconselhamos, porém se adestrado e bem escolhido pode dar certo”. Talvez isso seja devido ao nível de atividade extremamente alto desse pequeno companheiro. Devemos levar em conta o que ele revela sobre os famosos Beagles destruidores de pertences das casas onde vivem: “a má educação e a falta de orientação de quem vende um beagle é fator primordial para que isto ocorra”.

Perguntamos sobre displasia coxo-femoral, se ela é bem controlada na raça, ele diz que sim e que “não existem muitos casos”. Isso é muito importante, pois a displasia é uma doença que prejudica muito a vida dos cães portadores, causando dores terríveis e muitas vezes impossibilitam o cão até mesmo de andar.

Se ele teria cães premiados ele nos respondeu enfaticamente “Não e não quero ter”. Ele não participa de exposições e sobre elas acha “muita frescura e pouca seriedade e não participo exatamente pela falta de seriedade existente”.

José Roberto não deixa de concordar que a CBKC não provê o criador de informações e auxílio para que haja o aprimoramento genético das raças, “só querem nossa anuidade”, completa.

Respondendo se o brasileiro sabe reconhecer o bom criador ele diz “Não! Falta interesse no conhecimento” e quando questionamos sobre a reprodução indiscriminada, sem critérios e sem levar-se em consideração o padrão de cada raça ele dispara “... o brasileiro, em geral, não se preocupa com isto, há muita falta de interesse em se conhecer mais sobre as raças caninas em geral”.

Quanto às ilegais rinhas de cães, mas que infelizmente ainda existem, ele diz que são “abomináveis” e que tem “nojo” delas.

José Roberto respondendo sobre serviços prestados por veterinários, diz que o serviço deles “deixa a desejar, pelo menos em nosso estado”. Perguntamos se ele tinha tido problemas com esses profissionais, respondeu: “Tenho sempre, por isso estou contratando um só para atender no canil e no nosso pet”. Sobre as punições aplicadas pelo CRMV em caso de erro veterinário ele diz que “nem sempre” existe a punição e que “o CRMV é outro órgão que só faz política”, acrescenta sem meias palavras.

Leia na íntegra as considerações gerais por parte do entrevistado.

Como comportamentalista canino fico revoltado com a falta de informação e interesse que existe em relação ao adestramento e o entrosamento social dos cães.

Havendo divulgação, orientação e educação, com profissionais sérios e honestos, a população seria conscientizada de que os cães podem freqüentar qualquer lugar público sem maiores problemas e preconceitos.

Temos o exemplo de uma senhora cega, do Rio de Janeiro, que tem um labrador preparado para ser seu guia. Teve que lutar na justiça para poder freqüentar lugares públicos, e, mesmo assim ainda encontra dificuldades no metrô.

Os profissionais da cinofilia no Brasil deviam ser mais unidos, divulgando e esclarecendo o público em geral sobre o que consiste um cão adestrado, um cão educado.

Os proprietários de cães deveriam exigir comprovante de formação e informações sobre os profissionais da área, pois existem muitos picaretas que além da exploração financeira ainda estragam os cães.

Os criadores de cães deveriam fazer cursos para saber orientar os filhotes desde o desmame e, também, o cliente ao adquirir um cão em seu estabelecimento. As pessoas não sabem como conviver e orientar o filhote e acabam estragando e desviando o comportamento do cão, tomando medidas de repressão drástica e até mesmo se desfazendo do mesmo e causando sofrimento para todos, principalmente para aquele que menos culpa tem: o cão."

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Jornalista Responsável
Anita dos Santos Gambardella
RP 16.654/SP
Perfil do Entrevistado


José Roberto de Araujo, pessoa objetiva e proprietário do canil Lucy Gray Kennel, totalmente estruturado para a criação e hospedagem de cães. O Canil onde cria seus Beagles fica em uma chácara no condomínio Ouro Branco, na cidade de Guarapari/ES. Ele cria cães profissionalmente desde 1992 e além da satisfação pessoal não deixa de frisar os bons resultados financeiros que isto lhe proporciona.

Ele é proprietário de um plantel de quarenta e oito cães, sendo trinta e seis fêmeas e todos da raça Beagle. Dono de um Pet Shop divide seu tempo na administração da loja e do canil.

Formou-se em educação física, mas dedica-se exclusivamente à criação, hospedagem e ao adestramento de cães.
Sempre gostei muito de cães e o contato com eles me faz bem” afirma José Roberto.

Ele escolheu a raça Beagle porque em seu estado a raça não era muito divulgada, revelando nele um caráter de pioneirismo.

Além dos cães tem ainda uma gata, um jaboti e dois papagaios que se dão muito bem entre si.


E-mail para contatos:

lucygray@terra.com.br



Fotos cedidas pelo Criador

 

 

 

 

 















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